A vida não tem ensaio mas tem novas chances Viva a burilação eterna, a possibilidade, o esmeril dos dissabores! Abaixo o estéril arrependimento, a duração inútil dos rancores. Um brinde ao que está sempre nas nossas mãos: a vida inédita pela frente e a virgindade dos dias que virão!
O que eles deixaram foram três postulados: importante é a luz, mesmo quando consome; a cinza é mais digna que a matéria intacta; e a salvação pertence apenas àqueles que aceitaram a loucura escorrendo em suas veias.
Há lugares intocados e tão fundamentais como as restingas onde a preservação se dá, justamente, pela falta de acesso do homem ou porque, ao redor, todo o mar é bravio e turvo. Acordei lentamente e sem voz. A garganta não dói mas ressente as horas seguidas sem nenhuma palavra vibrar. Quebrar o silêncio sem nada acrescentar ou dizer, é tão inútil quanto a lavagem compulsiva de mãos fora da lida, quando o que se tenta lavar não está nas mãos. Há restingas de nós e em nós e há silêncios tão necessários como as áreas restritas de restinga. Há lugares assim, abundantes. Há dias assim onde tudo além da natureza e do tempo é um lixo degradante e nocivo. É delicado caminhar sobre o que arde. Mas se o sagrado se contempla na hora exata do querer, a consciência só desperta quando queima uma chama e dói. Estou numa faixa de areia onde a vegetação toca o mar mas que pode acabar na elevação do nível dos oceanos.
O meu amor tem um jeito manso que é só seu E que me deixa louca quando me beija a boca A minha pele toda fica arrepiada E me beija com calma e fundo Até minh'alma se sentir beijada
O meu amor tem um jeito manso que é só seu Que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos Com tantos segredos lindos e indecentes Depois brinca comigo, ri do meu umbigo E me crava os dentes
Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz
O meu amor tem um jeito manso que é só seu Que me deixa maluca, quando me roça a nuca E quase me machuca com a barba mal feita E de pousar as coxas entre as minhas coxas Quando ele se deita
O meu amor tem um jeito manso que é só seu De me fazer rodeios, de me beijar os seios Me beijar o ventre e me deixar em brasa Desfruta do meu corpo como se o meu corpo Fosse a sua casa
Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz
deixa o poema escorrer pelos dedos como se fosse água deixa escorrer do olho pela face o poema lágrima deixa escorrer pelo canto da boca como baba deixa escorrer do caralho a porra do poema deixa o poema correr pelo mundo como se valesse a pena
Você é isso Uma beleza imensa Toda recompensa De um amor sem fim
Você é isso Uma nuvem calma No céu de minh´alma É ternura, em mim Você é isso Estrela matutina Luz que descortina Um mundo encantador Você é isso Parto de ternura Lágrima que é pura Paz do meu amor